O renomado jurista e filosofo nascido, na bela e tão conhecida França, Michael Foucault, ao escrever o livro Vigiar e Punir abordou como tema a evolução e o nascimento da famosa cadeia que hoje conhecemos. Nos séculos anteriores quando alguém era condenado por um crime, sua sentença era proporcional ao seu delito, a prisão servia apenas de lugar para onde o réu iria para esperar o seu julgamento. Condenado pelo juiz teria como sua “recompensa” o que Foucault denominou de suplício do corpo. Um grande exemplo para que se entenda o que é este suplício, são as famosas cenas de filmes medievais em que ao ser condenado o réu pagará sua pena no meio da praça publica (para que sirva de exemplo a todos os moradores, para que não tornem-se delituosos também), e ao chegar, estará um carrasco encapuzado o esperando para decepar sua cabeça ou torturá-lo até a morte, na presença da população. As cenas que você assiste nos filmes hollywoodianos são uma “fixinha”, comparado ao que realmente acontecia, pegue cada uma dessas cenas vista por você, e multiplique a violência, a tortura por 100.
Com o surgimento de pensamentos como os direitos humanos, foi-se desfazendo e trocando de modalidade de tortura, agora não mais o corpo do homem era o alvo a ser castigado para responder pelos seus pecados perante a sociedade, e sim agora, a sua mente que deve padecer. Denominado por Michael Foucault de suplício da mente, por agora tirar do homem o seu bem mais importante e valioso depois da vida que é a sua liberdade. O sistema carcerário tornou-se a solução para se sair do suplício do corpo.
E agora chego ao meu foco principal neste texto que me deixa mais intrigado, “Será que o golpe pesado do Estado que é desferido à mente das pessoas delituosas, somente elas que o sentem?” Um dia trabalhando com meu pai ouvi um rap que contava a história triste de quem vive no presídio, uma parte do refrão que também é o inicio da letra da musica foi quem mais chamou a minha atenção.
“Sinto uma grande vontade de chorar, ao ver a minha mãe/família aqui vindo me visitar.”
(Musica: Dia de visita. Grupo: Realidade cruel)
Com minha curiosidade atiçada, entrei na internet e procurei saber um pouco mais sobre esta musica, foi quando descobri que havia também um clipe da mesma. Comecei a lembrar do livro*2 que fui obrigado a ler no primeiro semestre do meu curso de direito e refleti sobre seus ensinamentos logo após de assistir seu clipe. Percebi que quando uma pessoa entra para o sistema prisional com ela findam todas as suas expectativas de vida. Quando se esta dentro não se “entra” sozinho a todo um grupo de pessoas que compartilham, a todo instante da dor de quem teve a sua liberdade retirada por conseqüência de sua conduta.
Este suplício mental acaba como um efeito dominó, iniciando no sujeito que foi condenado e depois parte para toda a família. Começando o sofrimento primordialmente pela Mãe, que mesmo sabendo de toda a história de má conduta do filho, na maioria das vezes nunca deixa de amá-lo. Depois vêm os filhos, a esposa, os irmãos e algumas vezes os amigos, que compartilham desse sofrimento. Portando o Estado ao desferir o seu golpe em busca de uma “justiça” esta supliciando não apenas a pessoa a quem foi direcionada a sanção, mas todo um emaranhado de pessoas que contem laços sanguíneos e/ou afetivos.
2 Vigiar e Punir: historia da violência nas prisões - Michael Foucault

gostei do texto
ResponderExcluirbeem cara de advogado mesmo
hehehehee...
muuuito interessante,
mas fiquei curiosa p saber
ql a sua proposta p o Estado
punir quem viola as leis
sem fazer sofrer
quem vive na realidade do tal meliante.